Depois de um longo hiato, a coluna AnimaTEC está de volta! Prometo que a frequência de atualizações será mais constante de agora em diante. O tema desse artigo envolve os chamados princípios da animação, que devem ser de conhecimento de qualquer pessoa interessada em ingressar nessa área. Mas, o que são esses princípios? Os princípios em si tem origem nos estúdios da Disney, e tem como objetivo atribuir mais realismo a animação de personagens e também fazer os movimentos e interação dos personagens mais interessante. Se os animadores fossem seguir as regras e limitações de movimento e dinâmica que existem no mundo real, ficaria muito complicado deixar produções voltadas para o entretenimento mais interessantes. Já pensou assistir Tom e Jerry sem que os personagens se estiquem ou deformem, quando atingidos por uma bigorna?
Os mesmos princípios criados para animação tradicional de personagens feita em células de animação, hoje também se aplicam em projetos mais contemporâneos, como as animações produzidas em softwares 3D. Entre os supervisores de animação e gerentes de projeto, o domínio desses princípios é tido como mais importante que o conhecimento técnico em softwares 3d. Para aprender a manusear um software é necessário apenas fazer um curso ou ler um livro, mas esses princípios de animação são assimilados apenas com muita prática e testes.
Agora que você já sabe como esses princípios são importantes, vamos conhecer quais são esses princípios! No total existem 12 princípios de animação que podem ser usados para criar movimento:
- Squatch and Stretch – Comprimir e esticar: Esse é um dos princípios elementares da animação, que todos envolvidos com a produção de animações deveriam dominar! O princípio tem como função mostrar pela deformação de um objeto o seu peso e flexibilidade. O exemplo mais simples de aplicação desse princípio é o de animação em que uma bola fica quicando.
- Timinig and Motion – Tempo e movimento: Aqui temos um princípio que lida com a relação de tempo em que as ações acontecem na animação. A mesma ação realizada em velocidades diferentes pode passar a idéia de sofrimento ou mesmo humor. Tudo vai depender da interpretação do animador para o contexto em que a ação está acontecendo na história.
- Anticipation – Antecipação: A antecipação de uma ação, como a preparação para um salto ou um impacto é muito usada para transmitir realismo nas animações.
- Staging – Cenografia: A cenografia de uma cena é importante para direcionar as atenções da audiência para um personagem, ou detalhe que pode complementar a ação. O uso de luzes e enquadramento de câmera é muito usado para trabalhar com esse princípio.
- Follow Through and Overlapping Action – Sequência de ações e reações: Outro princípio que lida com ações realizadas pelos personagens. Todas as ações realizadas pelos personagens em animação geram reações. Por exemplo, um personagem que esteja correndo em alta velocidade e é parado de maneira brusca tem a massa do seu corpo deslocada levemente para frente pela inércia, assim como seus cabelos e roupas.
- Straight Ahead and Pose-to-Pose Action: Esses são ao mesmo tempo princípios e técnicas de animação. Com o Straight Ahead a animação é realizada em intervalos de quadros bem curtos, basicamente quadro-a-quadro, o que resulta em movimentos realistas e bem detalhados. Com o Pose-to-pose o animador trabalha em blocos segmentados de animação, em que poses chave são usadas para determinar o movimento. Isso acaba resultando em pequenos saltos do personagem na transição entre as diferentes poses.
- Slow In and Out – Aceleração e desaceleração: Um princípio básico de dinâmica aplicada a animação é que os objetos precisam de tempo para começar e se mover e parar. São poucos os objetos ou elementos que já começam um movimento na velocidade final. Na maioria dos casos é necessário um tempo de aceleração e desaceleração para atingir o movimento ou repouso.
- Arcs – Arcos de movimento: A maioria dos movimentos realizados pelos humanos e animais descreve uma trajetória em arco. Basta reparar no movimento que descrevemos ao mover os braços para os lados. Isso significa que os movimentos que descrevem trajetórias em arcos são mais naturais e realistas.
- Exaggeration – Exagero nos movimentos: Esse é um princípio de animação que tende a deixar ações mais realistas um pouco mais exageradas. O objetivo é usar movimentos bruscos e expressões faciais para ampliar os movimentos e exagerar nas emoções e reações.
- Secondary Action – Ações secundárias: Aqui o princípio é bem simples, uma ação realizada por um personagem pode desencadear outros movimentos. Por exemplo, ao caminhar um personagem acaba gerando deformações e movimento nas suas roupas e no seu cabelo.
- Solid drawing – aparência dos personagens: Os seus personagens precisam respeitar alguns princípios básicos de biodinâmica e anatomia, para que a sua aparência seja realista e problemas no desenho dos mesmos não atrapalhem a animação.
- Appeal – Design das ações: A maneira com que um personagem desenvolve uma determinada ação é o que vai caracterizar a personalidade dele. Por exemplo, uma mesma tarefa realizada por Homer Simpson ou Ned Flanders será desempenhada e animada de maneira bem diferente. Os dois personagens tem características bem diferentes. Esse princípio trata da personalidade dos personagens e como isso vai modificar as suas ações na animação.
O que fazer com essa lista de princípios?
Além de conhecer as “regras” usadas pela maioria dos animadores para criar movimento em animação, você pode também começar a colocar em prática esses princípios com exercícios simples. Um dos mais básicos é a animação de uma bola quicando, que se realizado com o princípio do Squatch and Stretch, fica bem mais interessante como mostra o vídeo abaixo.
Além de ajudar nos estudos de animação, o conhecimento desses princípios vai permitir que você faça análises técnicas sobre as mais diversas animações. Por exemplo, nesse outro vídeo, que tem apenas 3 minutos, um animador conseguiu identificar praticamente todos os princípios de animação usados em uma cena do Era do Gelo 2. É um trecho bem curto, mas que exemplifica bem o uso desse tipo de princípio.
Mas, e como fazer para executar esse tipo de princípio na prática? Bem, isso é assunto para outro artigo aqui no AnimaTEC. Se você não conhecia a coluna, recomendo ler o primeiro artigo que aborda os requisitos necessários para ser um animador.
17 Comments
Trackbacks
Leave a Reply
Recent Posts
Iluzia | Obsessão, música e técnica mista marcam curta israelense
A animação é de Jerusalém, mais precisamente da dupla de estudantes da Bezalel Academy of Art and Design, Udi Ausolin e... Mais...
Bout | Curta canadense é imerso em mistério
Envolto em clima de mistério, embalado por uma música minimalista e hipnotizante uma tribo assiste a um embate mortal entre... Mais...
Animação para operadora de telefonia chinesa reúne feras globais
Fazendo uso da animação 3D sobre um cenário engenhosamente construído em miniatura, a Happycamper, multi-produtora suiça, alcançou um resultado impressionante.... Mais...
Furico & Fiofó | As desventuras de dois meninos de rua
Rio de Janeiro do início do século XX é o cenário para as prezepadas de dois meninos de rua; Furico... Mais...













Ah, clássicos princípios da animação. Quem estuda isso já tá até o pescoço com eles heheh…
vale lembrar que eles como estão demonstrados valem pro estilo cartoon, eu lembro de ter sido ensinado deles como se fossem uma regra universal pra qualquer motion, mas na verdade é essencialmente um caminho para uma linguagem. Sem bitolagens, pessoal xD
Vale lembrar: estudem atuação!!!!Isso mesmo! Vejam filmes em live action com atores reais!!! Como disse o amigo acima, sem bitolagens!!! =D
É, concordo com os dois comentários acima.
Acontece que esticar e espremer, assim como a antecipação, são recursos excessivamente utilizados nas animações ultimamente. Chega a ser cansativo assistir a um desenho animado de tanto que usam desnecessariamente.
Depois que inventaram o “cutout” digital, parece que os animadores só conhecem estes dois princípios da animação e todo o resto é esquecido. Como querem poupar o tempo, a animação se resume a tween e espremer e esticar o objeto, com antecipações estapafúrdias e sem sentido.
As animações do Cartoon Network e Discovery Kids estão cheias disso. Dá vergonha alheia.
Ó o Pacha aqui em cima! (:
Concordo com os três comentários acima. Há uma forte tendencia ao excesso… É claro que estes “mandamentos” dão um caráter cômico a animação mas acho que fica um pouco cansativo, repetitivo. Todos estão usando, para qualquer coisa!
É bom ver animadores abusando de criatividade nos movimentos, atingindo caráter humoristico e caricato de outras maneiras, dosando mais.
xoxo
Olá!,
Primeiramente, Parabéns pelo texto
Só gostaria de corrigir uma coisa,
Quando você cita ” Os princípios em si tem origem nos estúdios da Disney “, creio que seja um erro dizer isto, uma vez que parte destes princípios são estudos e resultados de outras mídias e artes, O staging por exemplo, muito provavelmente foi uma definição que o teatro criou, talvez com base da gestalt ou psicologia da boa forma.
mais uma vez parabéns,
Essa bouncing ball foi feita na melies? rs
vale recomendar o livro do Richard Williams, animators’s survival kit.. ele repassa esses conceitos com exemplos bem didáticos…
[]‘s
Valeu pelas dicas!
Espero que venham com mais frequencia! \o/
fiz um estudo disso com um amigo meu que é animador, ele animou só de estudo mesmo e eu fiz o mattepainting textura, iluminação e render, vejam no link e comentem!
http://www.youtube.com/watch?v=2pzUSR9zVHQ
puxa baunilha não suma de novo sentimos saudades hehehehe
Os 12 principios da animação é o BÁSICO.
Todos que querem ou que pretendem trabalhar com animação devem conhecê-lo!É OBRIGATÓRIO!
Agora, estes conceitos são algumas das ferramentas utilizadas para realizar uma animação. E como uma feramenta, devem ser usados segundo a necessidade expressiva da interpretação do personagem no contexto da cena.
Estes foram criados para animação 2D analógica; na animação 2D computadorizada já não funciona com plenitude. E para a animação 3D computadorizada, requer muita prudência. E para a animação 3D stop motion, é completamente diferente!
É um excelente artigo e foi bem esplanado.
Reforço a dica do Thiago: The Animator’s Survival Kit. Santo livro!
uma correção: Na verdade, Straight Ahead não é caracterizada por movimentos realistas e bem detalhados. A técnica de straight ahead consiste em desenhar os frames na ordem em que estes serão filmados. Isso cria uma animação mais dinâmica e espontânea, mas perde por ser mais complexo manter formas e proporções dos personagens. Animação de fumaça, por exemplo, fica mais fluida em straight ahead.
e também vale registrar o livro de onde o Richard Williams tirou o conteudo para o survival kit, o Illusion of Life – escrito por Frank and Ollie:
http://www.frankandollie.com
Faltou creditar o “Illusion of Life”. O princípios foram roubados do livro sem nem botar um crédito? Ai ai ai. O Ollie vai puxar seu pé de noite.
Livros de cabeçeira : ILLUSION OF LIFE, PRESTON BLAIR (não subestime este)pra entender como funcionam as coisas. E por último, mas não menos importante SURVIVAL KIT (que não é pra ser lido de forma integral e sim consultá-lo até porque consiste em algo muito mais avançado).
LIVE ACTION SEMPRE! Filmes de “ação real” são essências pra estudo de acting, noções de timing, composição (se você curte storyboard e layouts) etc.
Clássicos com os do Chaplin e Buster Keaton, dispensam comentários. Hitchock,Casablanca,Os irmãos Marx, 3 patetas e se quiser coisa mais da terrinha, cine atlântida (Grande Otelo e Oscarito).
Óbvio que alguns filmes mais recentes são boa fonte de influência.
JAMAIS ignore as animações pré-Disney (Winsor MacCay, Otto Messemer, Fleisher Bros.). SEM BITOLAS como muitos aqui disseram!
PS: precisam definir melhor o que é Straigh Ahead e Pose 2 Pose. O Ali Ababwah foi direto ao ponto.
A animação perdeu o seu brilho nos últimos anos com a inclusão da animação digital. E como disseram alguns comentários acima, os Doze Princípios Básicos resumiram-se em apenas dois. Para mim, mesmo que novato na área, entendo que animação tradicional dá um baita dum trabalho, mas o resultado final é belíssimo!
Bacana.
Só uma observação: Staging não seria a maneira como “atuar” em palco? Ou seja, a encenação do personagem; a sua aptidão para a “pantomima”?
Vamos pesquisando,
Abraço!
olá, qual os 12 principios de animacao do rei leao 1 ?