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Existem alguns comerciais que, por algum motivo, acabam sendo memoráveis. Quem não se lembra de um menininho de camisolão e uma vela na mão que bocejava, enquanto um jingle direcionado às crianças marcava “estar na hora de dormir”. O comercial dos cobertores Parahyba marcou a memória de milhares de brasileiros. Uma animação feita por Ypê Nakashima.
Esse sujeito que pouca gente conhece, também foi o criador do primeiro longa-metragem colorido de animação do Brasil. Um japonês que passou pela 2ª guerra, foi famoso como cartunista de tirinhas nos principais jornais japoneses da época, veio parar no Brasil com a missão de continuar seu trabalho, agora voltado para o universo das animações. Começou abrindo uma agência (para conseguir juntar um dinheiro) e fez vários comerciais clássicos, que podem ser vistos Aqui!
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Depois disso, em 1966, começou a produzir um longa animado chamado Piconzé. Entre a criação da história até a pós-produção da animação, passaram-se seis anos. Piconzé estreou nos cinemas em 1972 e ganhou dois prêmios do Instituto Nacional do Cinema. O filme ganhou na trilha sonora canções compostas por Damiano Cozella. Mas vejam a vontade e determinação do animador, toda a equipe de animadores da empreitada foi treinada pessoalmente por Ypê Nakashima. Piconzé tem 80 minutos de duração, foi filmado em negativo colorido, 35 mm, acumulou 25.000 acetatos e 300 cenários. Apesar desses números, foi um filme econômico.
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Isso porque muitos dos cenários de Piconzé foram criados a partir de caixas de sapatos e recortes de revistas, que serviam para conferir ao desenho um aspecto de 3-D. Para as florestas, por exemplo, ele usava fotos de anúncios de forros, que representavam os troncos das árvores. “Ele foi pioneiro no processo de reciclagem de materiais para criar uma obra de arte que tem não só beleza como uma grandiosidade”, comenta Hélio Ishii, diretor do documentário sobre a vida de Ypê.
Nakashima foi morto em 1974 em São Paulo, deixando seu segundo longa-metragem “Irmãos Amazonas” inacabado.
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Recentemente foi lançado um documentário sobre Ypê Nakashima e o hotsite-memorial criado para mostrar a todos a sua obra, e claro, Piconzé. Eles foram exibidos também dentro de uma exposição dedicada ao artista no “Espaço Cultural Fundação Japão”.
Mas você pode assistir online a animação Piconzé Aqui!.
Piconzé desaparecido!! O Núcleo Virgulino está em campanha em busca de informações sobre as cópias e negativos.
Assista na sequência as primeiras 4 partes do documentário que já estão disponíveis na rede (serão 7 partes).
Dica de Theresa Medeiros, informações Núcleo Virgulino.
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Grande artigo, parabéns!
Animação, no Brasil, sempre foi algo muito “contra-mão”, havendo alguma chance de renda para os animadores somente no concorrido mercado publicitário. Poucos se afirmaram com personagens próprios, mesmo com o advento da web, a coisa ainda é bastante complicada. Porém, quando se gosta, não há impedimentos, né?
Abraços!
Ops. Eu sempre soube que o primeiro longa de animação brasileiro é Sinfonia Amazônica, de Anélio Lattini Filho, no início dos anos 50. Tem alguma coisa na página da wikipedia aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/S.....%C3%B4nica
Mas muito bacana saber sobre o trabalho de Ypê Nakashima.
Muito bonito de ver. Imagino a biblioteca que se foi junto com o homem mas me alegra saber que ele também vive enquanto sua obra for lembrada.
Nossa, me sinto um ignorante agora, nunca nem tinha ouvido falar de Ypê Nakashima, o estilo dele é um dos que eu mais gosto, sempre to em busca de referencias de cartoon modern.
Simplesmente sensacional!
Joelma, acho que no caso Piconzé seria o primeiro desenho animado colorido. Alguém confirme aí pq tô no trabalho.
Essa questão de “primeiro” sempre dá o que falar. É a mesma questão de quem realmente inventou o avião ou de quem veio antes Cassiopéia ou Toy Story?
Nas minhas pesquisas, Piconzé é colocado como o primeiro longa animado brasileiro que realmente contou com uma equipe profissional.
Que post ótimo! Valeu
Cassiopéia foi o primeiro totalmente em 3d.
Baunilha, realmente dá o que falar.
Mas de acordo com todas as enciclopédias e dicionários de cinema daqui do Brasil, o Anélio Latini Filho foi o primeiro a produzir um longa metragem de animação e exibi-lo no cinema, em 1951. O filme levou 6 anos para ficar pronto (retirado de “A Enciclopédia do Cinema Brasileiro” [Editora SENAC, 2000])
Tudo bem que ele não teve uma equipe profissional para produzir Sinfonia Amazônica, mas ele foi o primeiro a ter um estúdio de animação brasileiro (ANÉLIO LATINI PRODUÇÕES). Inclusive, foi ele o primeiro a fazer o primeiro desenho colorido para a TV, o comercial para o sal de frutas Eno.
P.S.: O Anélio Latini Filho está sendo homenageado esse ano no Anima Mundi. Participei da confecção do catálogo desse ano, e uma matéria sobre ele estará na seção Papo Animado. E se não me engano, alguns longas e curtas deles serão exibidos nas seções.
Nossa! Que fantástico! Nem conhecia…
O vídeo tá carregando ainda.
Adoro o blog.
Beijos
Uma aula de história da animação Brasileira.
Parabéns!
Wow! Parabéns pelo post, Baunilha. Ficou um ótimo resgate histórico… e usando as palavras do “Jota”, uma aula de história da animação brasileira.
Mil parabéns para o blog! Sou fã!
oi, eu era menor na epoca.e assisti..piconze..hoje estou com 60..fiquei assistido..me trouxe .muita lembrança..na epoca.eu me lembro ele foi muito criticado pelo desenho..feito de jornal e revista..cenario,..quando sai do cinema muita gente ..criticou o desenho..mas eu cooprendi.o esforço..que teve pra fazer na. epoca tudo era dificil..mas brasileiro e assim mesmo tem memoria curta..eu gostaria de ter uma copia pra eu mostrar pra minha neta..e eu gostaria de ajudar a persevar.a memoria de ype nakashira..por ser o percursor do nosso desenho..abraço..luiz braga sato