SMELLYTALK/ Fernando G. Cintra

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Dando sequência ao SMELLYTALK, conversei com Fernando G. Cintra, um brasileiro que está no Canadá seguindo seu rumo nas graças da animação 2D.

Fernando acaba de finalizar seu curta chamado Hope, que revela uma melancólica história de uma paciente em fase terminal e a inocência da reação de uma criança quanto a situação. O curta está em inglês, mas é facilmente compreendido por qualquer um.

Hope foi o projeto final do seu curso de animação 2D. Na entrevista você vai ver que não é tão simples como parece criar um trabalho como esse para um projeto. Além de todo o roteiro e criação dos personagens que já conhecemos, o projeto de conclusão ainda requer alguns elementos na produção, como quantidade mínima de cenários e personagens, estabilishing shot, set-up, entre outros, o que acaba limitando a criatividade em alguns aspectos. Mesmo assim, Fernando desenvolveu um curta maravilhoso, que emociona no seu roteiro e em uma estética que conversa com a animação, que nos lembra uma pintura infantil. Na entrevista, vai conhecer também suas inspirações e referências na criação do curta e ainda saber como está o mercado de animação no exterior e sua opinião sobre o assunto.

No final, você confere o curta Hope e, para ilustrar o post, Fernando nos mandou um dos primeiros estudos de cores que fez para o curta, com cenário e personagem juntos, uma cena do storyboard e a cena final.

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Quais foram suas influências na produção de Hope?
Minhas influências na produção foram principalmente Snoopy e Calvin e Haroldo. A história é sobre o ponto de vista de uma criança, então acho que esses 2 desenhos captam bastante esse espiríto com uma certa personalidade. Eu gosto muito dos desenhos animados antigos. A estilização, tanto de desenho como de animação principalmente que a UPA produziu antigamente me inspiram até hoje, e é algo possivel de se fazer no Flash (a mídia mais utilizada hoje em dia pra animação 2D de baixo custo).

Um dia voltando pra casa surgiu a ideia. Acho que foi resultado de um ano meio sozinho que passei, longe das pessoas que eu amo e inconscientemente me expressei dessa maneira.

Como foi o processo criativo do curta? Quais dificuldades você teve?
Na verdade, o curta foi um projeto final do curso de animação que fiz em Vancouver, Canadá. Vendo o trabalho dos alunos que vieram antes que eu, eu nao estava muito contente com os resultados. O projeto final é um exercício como todos os outros que fazemos durante o ano, e têm regras.

As regras eram as seguintes, ter 2 personagens e 4 cenários, sendo que um seria o que eles chamam de estabilishing shot (um plano geral para estabelecer onde se passa a história), um cenário interno (que eles chama de set-up) e 2 closes de partes diferentes desse cenário. Usando a fórmula deles, você não tem outra saída a não ser fazer um tipo de piadinha e eu queria tentar algo diferente. Gosto de desenhos engraçados claro, gosto de Warner Bros, Droopy, gosto de Pantera Cor de Rosa, mas queria tentar algo que fosse em outra linha. Assim, um dia voltando pra casa surgiu a ideia. Acho que foi resultado de um ano meio sozinho que passei, longe das pessoas que eu amo e inconscientemente me expressei dessa maneira.

O processo de criação foi diversão até o fim: criei os personagens primeiro, depois comecei a estudar como seriam os cenários e como as cores iriam se comportar. Enquanto isso comecei a fazer o storyboard. No final, as coisas começaram a tomar forma naturalmente.

Tive varias dificuldades também, mas não que deixassem o trabalho menos divertido. Os cenários são um exemplo, eu queria uma coisa que as pessoas olhassem e pensassem que foi feito a mão, foi difícil atingir o resultado. Outra dificuldade foi animar os personagens com o traço feito no Illustrator. Eu sabia que era possível desenhar no illustrator e animar no Flash e queria muito tentar fazer isso. A verdade é que, dependendo do brush que você escolhe no Illustrator, os arquivos podem ficar extremamente pesados no Flash o que deixa realmente difícil trabalhar. A minha solução foi quebrar a história em cenas e animar só com cenários falsos. Depois que a animação estava pronta, eu substitui os cenários falsos pelos finais.

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Quanto tempo levou para ficar pronto?
Do primeiro rascunho até o produto final, 1 mês e 3 semanas.

O que te levou a fazer o curso de animação e por quê no Canadá?
Eu fiz um curso de animação de um ano no Canadá, na escola Vanarts. Vim pra cá por vários motivos. Dentre todas as escolas que eu vi, tanto nos Estados Unidos quanto no Canadá, era a mais em conta e a mais curta (bancar a vida na America do Norte não é nada barato). Outro fator foi que comecei a fazer uns freelances pra 2 estúdios de Toronto e volta e meia conversava com eles sobre a vontade de estudar animação, e sobre o fato de a gente ainda não ter um mercado muito sólido no Brasil. Temos artistas, mas ao meu ver ainda não temos a estrutura que eles tem no Canadá.

Você pretende voltar para o Brasil para exercer a profissão ou o mercado no exterior ainda é melhor para os animadores?
Com certeza o mercado exterior é melhor pra animadores, mas eu estou voltando pra tentar algo no Brasil. A crise já chegou aqui no Canadá, muitos estúdios nem contratam mais e muitos outros mandaram muita gente embora. Dizem que pra Toronto ainda tem muito emprego, mas aqui em Vancouver até a industria de games – uma das mais fortes – não está indo muito bem. Ainda assim, a quantidade de estúdios e de produções ainda é maior no Canadá.

Valeu pela ajuda, Paulo Pina!

4 Comentários »

  1. avatar Jennifer Disse:

    Que coisa mais fofa! *_*

  2. avatar Paulo Pina Disse:

    Curta perfeito.
    Roteiro, arte, anima.

    SHOWWW! =]

  3. avatar Gustavo Disse:

    Parebéns pelo trabalho. Ousadia a sua fazer parte da animação no illustrator. Realmente deve ter sido uma tarefa àrdua.
    Infelizmente a crise tem atingido não só os animadores recém-formados, como também aqueles com estrada já percorrida, e já mina a chances daqueles, que como eu, já animam e queriam se especializar lá fora (mesmo com bolsa que tinha conseguido pela VFS ano passado, com a crise ficou impraticável de tentar algo, sendo assim migrei pra São Paulo. Penso em fazer uma especialização mais a frente, quando a poeira baixar).

  4. avatar Monica Disse:

    Que lindo!
    E que dó! Muito bom :)

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