
Mais uma novidade aqui no Smelly é o “SmellyTalk”, a seção de entrevistas do blog. Iremos trazer os mais diversos profissionais do meio para contar um pouco o que fazem, como trabalham, o universo e tudo mais. É algo simples, sem muitas firulas, que dá uma oportunidade para quem não conhece muito do backstage de produção de animações e curtas, conhecer. E quem já conhece e tem um trabalho interessante para mostrar, para nos contar um pouquinho sobre ele. Comentários e críticas (construtivas) serão bem vindas, afinal esse é apenas o primeiro. Sugestões de “entrevistados”, deixe nos comentários ou envie um email para email@smellycat.com.br.
O nosso primeiro entrevistado foi o Carlos Cidrais, português (o que facilitou demais a conversa!) de 28 anos que vive em Londres e trabalha com imagens em movimento (nossas queridas animações) desde 1999 quando era VJ de shows e baladas. Carlos sempre teve muita ligação com produção de entretenimento, desde imagens, como também música e até mesmo um livro de poesia. Mas a ideia de contar histórias através de imagens foi uma vontade que sempre esteve presente e quando percebeu que poderia ganhar dinheiro com isso e viver desse sonho, se dedicou a a aprender e fazer.
Carlos é formado pela Escola de Artes da Universidade Católica Portuguesa e trabalha com pós-produção na Th1ng, iluminando tudo o que passa pela sua frente. Na sequência, ele nos conta um pouquinho sobre seu dia-a-dia, o mercado e sua visão sobre animação comercial. Join!
Por que escolheu trabalhar com CG dentro de outras tantas possibilidades?
Porque me permite realizar a minha visão artística. Mas não excluo outros meios (fotografia, música, video, a palavra).
Mais do que isso, é a profissão que escolhi e encaro-a da mesma forma que encararia se tivesse optado por ser médico ou advogado.
Qual é a sua função dentro de um filme, curta ou comercial?
Depende do projeto, mas ultimamente estou me especializando cada vez mais com iluminação, algo que me agrada bastante. Gosto de passar tempo refinando o aspecto final e noto que aprecio o processo, mais do que outros (modelação, animação, etc).
Como é o processo de trabalho e quais são os desafios?
Habitualmente os desafios principais são mesmo os prazos. Tenho tido a sorte de trabalhar com bons realizadores e excelentes profissionais em todas as fases do projeto, o que faz com que quando tenha que dar minha contribuição para o projeto isso seja fácil e decorra sem sobressaltos. Claro que nunca me livro das muitas horas necessárias para produzir algo com qualidade.
Qual sua visão sobre esse mercado?
É um mercado interessante, dinâmico e onde há uma grande liberdade para o artista. Talvez mais do que em filmes, jogos ou outros com uma pipeline mais rígida e prazos mais longos.
Para quem está começando agora, seja no Brasil ou no exterior, quais dicas você dá? Vale a pena fazer faculdade, é melhor procurar um curso especializado, experiência conta ou um portfólio bacana acaba sendo melhor?
Francamente fazer a faculdade foi o que me levou a este campo. De outra forma, dificilmente, teria sido exposto aos trabalhos que influenciaram a minha escolha ou teria tido oportunidade de competir com os meus colegas para produzir a melhor peça de animacão 3D. Além disso estudar numa faculdade – como foi o meu caso – cria um contexto no qual se pode aprofundar conhecimentos específicos ou relacionados durante anos, um luxo que você nao teria se tivesse que trabalhar ou estudar em outra área durante 8, 9, 10 horas por dia.
Que tipo de trabalho você realmente deseja executar nesse ramo?
Estou plenamente realizado como iluminador. Tenho o meu lugar na produção, gosto de saber que o consigo desempenhar com competência e que trabalho em projetos interessantes. Gosto de ver o meu trabalho na televisão e aprecio não ser o realizador no sentido em que não fico agarrado a um estilo específico ou uma linguagem formal. Assim, posso criar vários estilos visuais de acordo com as necessidades do projeto.
Eventualmente gosto de iluminar para cinema e jogos. Cinema porque sempre quis fazer e jogos porque é atualmente o campo mais excitante onde um artista 3D pode trabalhar. Além de ser o que movimenta mais dinheiro e onde o maior número de inovações tecnológicas e artísticas estão acontecendo. A qualidade visual está quase (mas ainda não) no mesmo nível do cinema. Eventualmente teria também interesse em colaborar em projetos de arte para galerias, museus ou mesmo o espaço público. No entanto, já entendi que nesta vida não podemos nos agarrar a uma identidade. Se evoluir em outro sentido, isso será o que farei.
Quais os prós e contras de se trabalhar na produção de comerciais de televisão? É uma escolha ou acaba sendo o caminho seguro para a maioria dos animadores?
É uma escolha sem dúvida. Ganharia talvez mais dinheiro fazendo 3D para arquitetura ou internet. Mas produzir para televisão me dá uma satisfação especial, pois foi este o meio com que cresci e ainda hoje passo algum tempo a ver as minhas séries preferidas na TV. Aprecio também os anúncios como uma forma de arte e sei que, quando a publicidade é bem executada, transcende a categoria de persuasão para se elevar à arte. A hipótese de uma dia vir a fazer algo que outras pessoas entendam dessa forma, e que as influencie como me influenciou quando estava crescendo, é o que me estimula.
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Muito interessante!
adorei a nova sessão..
Ha um tempo atras eu pretendia ser designer 3d, fiz até curso de 3ds max, estudei, fiz projetinhos, mas agora me voltei pra programação, o mercado é maior, e eu gosto também (eu diria que o mesmo das duas areas)
mas nunca vou deixar de brincar com animação =)
Boa entrevista, e parabéns pelo blog
Boa! Parabéns!